Antes de mais nada, uma imagem
pro Rudá:
Agora, vamos ao artigo.
A Escolha do Deck:
A escolha do deck que joguei neste PTQ passou por quatro etapas: raiva,
ilusão, desespero e por ultimo, confiança. Meus testes
começaram com uma versão de URW que ganhou um PTQ no MOL alguns meses atrás. Um
bom deck, mas não gostava dele... um deck azul que não compra muita carta? Como
pode isso? Isso me dava raiva, e assim decidi que precisava trocar de
deck.
O segundo deck que eu testei, um haunted zoo, foi uma ilusão... Geist of
Sant Traft segundo turno? Tribal Flames pra 5, snapcaster pra tribal flames,
opa... você tá morto. O deck era muito bom, mas justo, e aprendi que no modern,
ser justo nem sempre compensa. O deck mulliga muito e você acaba precisando de
mãos semiperfeitas ou de muita sorte na compra, logo, não tinha confiança em
jogar com ele. (Mas eu acho que japoneses não tem esse problema, visto que Ken
Yukuhiro fez top8 no GP San Diego com uma lista parecida com a que eu estava treinando).
No desespero, comecei a treinar com diversos decks, URW Gifts, URW Kiki,
Pod e até mesmo Jund, eu precisava encontrar algo que me passasse confiança...
acho que foi aqui que eu cometi meu maior erro durante a preparação para o PTQ.
Eu devia ter simplesmente decidido entre o URW e o Zoo, decks que eu já tinha
algum treino e simplesmente mexer na lista para melhorar os bad matchups que eu
detectasse, ao invés de tentar algum outro deck e ter de recomeçar todo esse
processo.
No fim, acabei jogando com uma lista de Junk, muito boa por sinal, que me
passou a confiança que eu estava buscando. Treinei com o deck algumas
vezes, mas acabou faltando uma carga de treino maior. A lista que eu joguei foi
a seguinte:

Com o deck escolhido e relativamente treinado, vamos ao campeonato.
Primeira Rodada - Elfo Aggro
Sim, isso mesmo, um elfo aggro, totalmente inesperado. O primeiro game eu não
tenho removals suficiente e perco pra um monte de elfos guerreiros pumpados com
arcdruida, paragon e um joraga com 2 marcadores do kicker. Segundo game eu
tenho mais removals e ganho de vida. Depois de um jogo muito tenso, consigo
ganhar encima do relógio. Acabamos empatando.
Segunda Rodada - URW Midrange
Joguei contra o competidor da copa do mundo do ano passado, Elton Carneiro. O
matchup é o pior para meu deck, pois ele tem acesso as melhores spot removals e
ainda conta com sweepers. Minha chance é puni-lo com Smiter, Thrun e
manlands... que foi o que eu fiz, até que ele conseguiu estabilizar e vencer.
No segundo jogo eu coloquei muita pressão, mas novamente o relógio estava
chegando ao fim e ele conseguiu estabilizar. Como eu n conseguia matar ele, mas
também não morreria, o jogo terminou 1-0 para ele.
Terceira Rodada - Grull
Primeiro jogo o oponente abriu violentamente com goblin guide, emissário, porco
e gor-clan rampage.. nem deu pra anotar a placa. Segundo game eu tenho ganho de
vida e mais removals, consigo controlar o jogo mantendo minha vida na faixa dos
10 pontos, kitchen finks, baloths e smiters acabam ganhando o jogo. Uma coisa
interessante aqui é que o oponente sideou Sulfur elemental contra mim, o que,
realisticamente falando, inutiliza minhas lingering souls. Entretanto, ele
melhora meu smiter, e minha manland GW, mesmo deixando-os ao alcance do burn.
No terceiro game, tirei os lingering souls pra fora e voltei as lilianas, que
teoricamente são inúteis, pois dá tempo somente dele sacrificar uma criatura, o
que de forma alguma diminui a pressão que ele impõe. Contudo, eu fiz uma
liliana de segundo turno, um goyf 4/5 e um baloth obstinado. GG. 2-1 para mim.
Quarta Rodada - URW
Mais um badmatch. Primeiro jogo eu fiz um smiter e coloquei muita pressão até
ele comprar o path do exile. Depois disso ele consegue estabilizar mantendo
counters de backup e eu nunca consigo voltar para o jogo. Segundo jogo eu faço
Smiter, Thrun e vou batendo, tentando colocar alguma outra pressão na mesa,
seja em forma de lingering souls, shaman, ou goyf... que são removidos
constantemente.
Eu consigo resolver um Deathrite Shaman e vou causando 2 de dano todo final de
turno nele. Até ao ponto em que ele faz um baneslayer angel. Batendo 5
lifelink, ele vai a 15 de vida. Ele acaba estourando uma fetch e pegando uma
shockland, indo a 13. No passe, eu causo mais dois levando-o a 11. Com o tempo
acabando, eu tenho um ultimo ataque: Loxodon, Thrun, Shaman e Treetop
Village, 11 de dano. Declaro ataque, ele dá o raio no treetop e eu perco.
Cansado, e sem nenhuma chance de ganhar premiação, resolvo dropar com um
resultado de 1-2-1.
Lições Aprendidas:
Não acho que tenha faltado treino para este torneio. Claro, eu sempre poderia
ter me preparado mais se eu tivesse decidido logo o deck. Acredito que com
algumas modificações no side, alguns matchups poderiam se tornar mais favoráveis,
mas como em meus jogos, eu enfrentei uma pequena parcela dos decks, não posso
afirmar isto.
O matchup contra URW está longe de ser impossível de vencer, mas é uma partida
muito difícil e complicada. Se eu fosse jogar outro torneio amanhã no mesmo
formato, talvez eu acabasse jogando com o mesmo deck, independente da
frustração obtida neste PTQ. No fim, algumas lições aprendidas:
- Sempre espere o
inesperado.
- Chame o juiz. Em todas as
partidas, eu devo ter perdido alguns minutos do relógio devido slowplay
dos oponentes. O cara ter um Restoration e um Baneslayer na mão, podendo
fazer os 2, levar mais do que 30 segundos para escolher qual descartar
para a liliana não pode ser normal.
- Decida um deck e melhore
seus matchups. Eu poderia ter jogado com qualquer deck que eu quisesse:
URW, Zoo, Junk ou qualquer outro. O que era importante, era decidir logo
para acumular uma boa quantidade de treino para saber o que era necessário
melhorar no deck.
Agradecimentos Finais:
Só tenho que agradecer ao pessoal que me emprestou cartas: Matheus, Verolli,
Gordo, Glass, Rafael. Também agradecer ao pessoal que viajou pro PTQ Daviland,
Wellington, Rudá... o PTQ foi frustrante mas a viagem não, acabei conhecendo
uma galera legal em São Paulo e a viagem foi divertida, mesmo que no final o
sono tenha me feito virar um velho chato reclamando de tudo, mas acho que fiz o
povo rir mesmo assim.